Um vídeo gravado na Mangueira mostra agressões de policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) a um jovem, em meio a gritaria de outras pessoas na rua.
A confusão por causa de um cachorro causou revolta a moradores e foi parar na 17ª DP (São Cristóvão). Na versão da polícia, nesta quinta-feira à tarde, durante a revista de rotina na Rua da Prata, Maicon Sabino de Souza, 19 anos, com seu cachorro pitbull, resistiu à prisão e foi levado para a delegacia.
Maicon sofreu lesões na cabeça, braço, perna e pé esquerdos. A gravação mostra o rapaz levando socos, gravata e até uma ‘voadora’ (salto e chute) de PMs, com várias pessoas, algumas mulheres, gritando ao redor.
Outros policiais entram em cena armados e a viatura sai do local. Segundo testemunhas, logo depois policiais levam o rapaz para a delegacia.
Veja o vídeo
Foto: Divulgação
 
Um dos policiais disse que seis rapazes foram abordados. “Ele se negou a colocar a focinheira no cão e nos disse que só estávamos tirando essa onda porque ali é a Mangueira e não Manguinhos. Jogou o cachorro em cima da gente. Nos desacatou”, contou.
O rapaz nega a versão dos PMs. “Meu cachorro Bleg estava sem focinheira porque bebia água. Dois PMs chegaram tranquilos, mas outro ficou revoltado porque o pitbull latiu para ele. O cara chegou a destravar o fuzil e apontar a arma na direção do animal, dizendo que poderia matá-lo”, acusou o jovem.
Maicon foi a exame de corpo delito. “Me machucaram sem necessidade. Até pistola de choque eles usaram. Eles jogaram gás de pimenta em mim e no cachorro”, acrescentou. O caso foi registrado na 17ª DP como ameaça e desacato, mas Maicon pretende entrar com ação contra a PM.
Por meio de nota, o comando das UPPs informou que os policiais estavam cumprindo a lei que obriga o uso de focinheira e usaram a força para retirar a corrente do cachorro das mãos do jovem.
Foto: Reprodução de Vídeo
Maicon mostra machucado após agressão de policiais da UPP: rapaz leva gravata (1), consegue escapar (2), mas é vítima de ‘voadora’ logo depois | Foto: Reprodução de Vídeo
Policiais pedem melhor formação
Pesquisa feita com 865 militares de 20 UPPs aponta os prós e contras do trabalho, pelo ponto de vista dos próprios policiais responsáveis por tornar realidade o sonho da pacificação.
Apesar de 46,2% se sentirem satisfeitos com a função, metade se queixa da formação, alegando não se sentir bem preparada para atuar em UPPs. Pouco mais de 64% afirmam que o conteúdo sobre a principal atribuição, o policiamento comunitário, não foi adequadamente ministrado.
Foto: Arte: O Dia
Arte: O Dia
Cerca de 46% dos policiais percebem nos moradores sentimentos negativos em relação a eles. As entrevistas foram feitas por pesquisadores do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, em 2010 e 2012.
O perfil médio dos agentes é de jovens (25 a 33 anos), com curso superior completo ou incompleto (47%) e que desejam seguir carreira na PM (67,6%).
Para a população, alguns aspectos positivos indicados pelos policiais são o aumento das rondas e a queda de homicídios. Mas o tráfico ainda assusta: 43% dos PMs percebem que esse tipo de ocorrência é frequente e 31,8% temem ataques.

Colaborou Vania Cunha